Prometida para as Olimpíadas do Rio, despoluição da Baía de Guanabara começa a avançar 8 anos após os Jogos
- fonte: jornal extra
- 10 de dez. de 2024
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Promessa era limpar ao menos 80% da baia até 2016, mas até hoje a meta está distante. Leilão da Cedae em 2021 e a obrigação de investir na despoluição têm trazido os primeiros resultados.

Praias antes poluídas próprias para banho e retorno da vida marinha. Os sinais de primeiros resultados do processo de despoluição da Baía de Guanabara começaram a aparecer recentemente, 8 anos depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Em especial sobre o legado olímpico, o g1 relembra o fracasso do projeto olímpico e o impacto do leilão da Cedae para o início do processo de recuperação da Baía de Guanabara. O objetivo dos investimentos é chegar a 90% da população com coleta e tratamento de esgoto até 2033, 17 anos depois do prazo olímpico.
Tempo perdido
A principal cartada do projeto olímpico brasileiro para convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI) a colocar o Rio de Janeiro como sede dos jogos de 2016 era a transformação da cidade através do evento. E a despoluição da Baía de Guanabara seria o grande legado das Olimpíadas para os cariocas.
A meta proposta era despoluir pelo menos 80% da Baía de Guanabara. Contudo, esse número nunca foi alcançado, nem de perto. Na verdade, 5 anos depois dos Jogos do Rio, o g1 e o RJTV mostraram que a qualidade da água havia piorado e que as promessas nunca foram cumpridas.
O Programa de Despoluição da Baía da Guanabara (PDBG) foi lançado em 1994. Em 2009, quando o Rio foi escolhido como sede olímpica, o projeto original já tinha sido paralisado há dois anos. Na ocasião, o governo do estado teve problemas para construir a rede coletora de esgoto que ligaria moradias às novas estações de tratamento.
Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2022, as estações de tratamento de esgoto que integravam o PDBG funcionavam apenas com 33,98% da sua capacidade inicial.
Para as Olímpiadas de 2016, uma das iniciativas foi construir ecobarreiras nos rios que deságuam na Baía. O objetivo era segurar o lixo antes dele chegar ao corpo hídrico. O governo também passou a utilizar ecobarcos, que tinham como objetivo recolher resíduos flutuantes que passassem pelas barreiras artificiais.
As duas iniciativas permitiram pequenos avanços, mas sem a efetividade necessária para garantir a despoluição. Os ecobarcos não davam conta da quantidade de lixo que vinha pelos rios, e as ecobarreiras se romperam diversas vezes com as chuvas mais intensas.
"Embora esses investimentos tenham contribuído para a coleta de lixo superficial, não geraram impactos significativos para a despoluição da Baía como um todo", apontou o estudo da FGV sobre os impactos dos Jogos Olímpicos do Rio.
Medidas paliativas
Especialistas acreditam que o maior dos problemas do projeto voltado para as Olimpíadas foi a falta de tratamento dos rios, já que as obras de saneamento básico previstas não saíram do papel.
A falta de tratamento não chegou a impedir as competições de vela da Rio 2016, mas muitos atletas reclamaram da presença de lixo na água.
"(Tivemos problemas) 5 vezes hoje, e ontem já tinha acontecido também. Não queríamos falar muito do assunto, mas hoje foi muito ruim, muita sujeira. Estávamos em segundo, mas pegamos muito lixo. Não sei se acontece com os outros, mas aconteceu conosco hoje", comentou na época Samuel Albrecht, atleta que disputou a classe Nacra 17.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, mais importante do que retirar o lixo da baía era ter implementado uma rede eficiente de tratamento de esgoto nos municípios da Região Metropolitana do Rio.
"Em São Gonçalo, por exemplo, todos os rios da cidade continuam recebendo o esgoto sanitário de todos os bairros. Com seus 9 rios que deságuam na baía, somados à falta da macrodrenagem nos bairros, é um Deus nos acuda. As águas pluviais se misturam com o esgoto", comentou o ambientalista Marcos Dias, coordenador do Projeto Remoma.
De acordo com o ambientalista, mesmo recebendo um volume enorme de esgoto, a Baía de Guanabara consegue renovar boa parte de sua água a cada 20 ou 25 dias. Contudo, segundo Marcos Dias, essa troca não acontece da mesma forma nas margens.
"A renovação acontece principalmente em seu meio, mas as bordas, onde temos as praias dos municípios, onde deságuam seus quase 90 rios, ainda deixam muito a desejar. A água ali não tem circulação e acaba gerando esse retrato negativo, com todo esse esgoto", completou Dias.
Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), existem hoje 17 ecobarreiras instaladas em corpos hídricos que deságuam na Baía de Guanabara. O órgão afirmou que, entre 2020 e 2024, as estruturas impediram a chegada de mais 16 mil toneladas de lixo na baía.
Falta coleta de esgoto
Atualmente, 36,3% da população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro não conta com coleta de esgoto. O número é praticamente o mesmo de 2011 (36,7%), segundo o Painel Saneamento Brasil.
Com 53 praias, a Baía de Guanabara é cercada por 7 municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Itaboraí, São Gonçalo e Niterói.
Os dados do Painel Saneamento Brasil, com base no levantamento feito pelo IBGE em 2022, mostram que apenas 2 das 7 cidades – Rio e NIterói – banhadas pela baia contam com bons indicadores sobre coleta de esgoto.
População sem coleta de esgoto:
Duque de Caxias: 91,3%
Magé: 94,4%
Guapimirim: 100%
Itaboraí : 98,7%
São Gonçalo: 87,3%
Niterói: 4,5%
Rio de Janeiro (capital): 4,2%
De acordo com o Comitê de Bacia da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH), mais de 8 milhões de pessoas moram nas cidades banhadas pela baía. Esse total representa 52,23% da população do estado.




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